Suposta ex-namorada de Bruno é indiciada
Bruno com Fernanda Castro.
Alessandra Wilke, responsável pela Delegacia de Homicídios de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, informou na manhã de ontem que já expediu intimação para Fernanda Gomes Castro, 31 anos, suposta amante do goleiro Bruno. Policiais estão no Rio procurando por ela para entregar o documento que exige sua presença para prestar depoimento.
Segundo a polícia mineira, a mulher pode ter sido quem cuidou do filho de Eliza por dois dias na casa do jogador, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. Eliza teria sido mantida lá antes de ser levada para o sítio de Bruno, em Minas Gerais. A mulher teria cuidado do bebê junto com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e um adolescente de 17 anos. A polícia mineira apura ainda se ela foi a Minas junto com o grupo, e não informou o paradeiro de Fernanda.
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Memória do caso Eliza
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a Polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a Polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele, até a morte, no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à Polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a Polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à Polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno. Enquanto a Polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada.
O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno, no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que presenciou a ação.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à Polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.
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Cristovam: lei que proíbe castigos é um avanço, mas abandono continua
Cristovam Buarque defende uma lei de responsabilidade educacional. / DIVULGAÇÃO
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse ontem, no Senado, que, do ponto de vista social, os dois projetos de lei enviados ao Congresso Nacional pelo presidente Lula para proteção das crianças, são um avanço jurídico, mas de uma maneira e incompleta. Cristovam assinalou que no Brasil permanece a violência da criança abandonada, que não é pior do que a violência da criança maltratada.
-O mau-trato de uma criança não se dá apenas fisicamente, se dá também pelo abandono de uma criança. E isso não estamos conseguindo vencer. Existe o mau trato da criança de quem é sonegado o futuro, roubado o futuro, impedido o futuro, ao não dar direito à criança a uma boa escola. Essa violência não tem lei ainda que proíba, porque nós não temos ainda uma lei de responsabilidade educacional neste país - afirmou.
Para Cristovam, o presidente Lula “foi muito feliz” por tomar a iniciativa de promover uma lei surgida de um movimento social, que teria como principal líder a animadora de televisão Xuxa Meneghel. Para o senador, a lei proposta pelo presidente não pune os pais que dão palmadas e beliscões em seus filhos, mas aqueles que praticam maus-tratos e até assassinam.
-Isso não pode ficar impune nem pode ser punido apenas pelas leis normais. É nesse sentido que essa lei é bem vinda. Não se trata da lei contra a palmada, mas se trata da lei contra a violência de parte de qualquer pessoa, inclusive dos próprios pais. Ela trata de resgatar aquilo que as crianças têm, que é o direito à sua integridade plena - avaliou.
O senador defendeu a ideia de uma lei de responsabilidade educacional, que puna também o prefeito e o governador que neguem escola às crianças da sua cidade e do seu estado, ou aqueles que dizem dar escola, mas dão prédios ruins e professores mal-remunerados.
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Governo prepara projeto sobre pulseira eletrônica
A proposta do governo para permitir o uso de tornozeleiras ou pulseiras eletrônicas em presos só será enviada à Câmara no fim deste ano ou em 2011. A informação é do Diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Airton Michels. Em abril, após o 12º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, o Depen anunciou que o projeto seria encaminhado à Câmara em julho ou agosto deste ano.
A intenção é normatizar o uso do dispositivo em presos provisórios ou condenados por crimes de menor potencial ofensivo, com o objetivo de reduzir a população carcerária e a convivência entre criminosos violentos e aqueles condenados por crimes menos graves. Segundo Michels, a elaboração do texto foi adiada porque, ao estudar as experiências de outros países, os técnicos do governo se depararam com um quadro mais complexo do que se imaginava em abril. “Estamos tratando esse processo com bastante cautela e não nos importamos que seja um debate longo, pois a questão não é simples. Não basta colocar a tornozeleira no condenado e mandá-lo para casa. É preciso avaliar como inserir a família nesse processo, já que muitos infratores tem histórico de conflito familiar, e como adequar o sistema à realidade brasileira”, disse o diretor do Depen.
Atualmente, a lei autoriza o uso de tornozeleiras ou braceletes eletrônicos para o controle de condenados durante as saídas temporárias do regime semiaberto ou naqueles em prisão domiciliar (Lei 12.258/10).
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