Incidência de ‘doenças do carrapato’ aumenta após o inverno




FERNANDA SOARES
Redação Tribuna


O inverno é o período em que os carrapatos mais se reproduzem, por isso, a época requer cuidados e medidas preventivas para evitar surtos de doenças como a erlichiose e a babesiose, no caso dos cães, e a hemobartonelose, nos gatos. As doenças são transmitidas aos animais domésticos pela picada do carrapato e ainda são comuns, apesar de haver prevenção. O problema é grave e o tratamento pode incluir transfusão de sangue. Os donos devem ficar atentos e fazer inspeções frequentes nos animais, além de aplicar produtos próprios para a eliminação dos hemoparasitos (parasitos de células do sangue). Segundo a veterinária Maria Beatriz Pellegrini, caso encontre um carrapato no corpo do cachorro ou do gato a pessoa deve procurar o especialista, que irá orientar sobre a necessidade de fazer exames. “Não há vacina, portanto a única forma de prevenir é impedindo o animal de ser parasitado e realizando exames para identificação precoce da doença. É um problema muito comum dentro e fora do Município de Petrópolis”, diz.
As doenças são causadas por hematozoários, que são micro-organimos que vivem dentro das células do sangue, ocasionando desordens como anemia e sangramentos. Os sintomas mais comuns da erlichiose e da babesiose são emagrecimento, febre, apatia, anemia e manchas roxas na pele e mucosas. Alguns casos são acompanhados de sangramento pelo nariz. A babesiose ainda pode acarretar em icterícia (pele e mucosas amareladas) e sangramentos por partes como a ponta das orelhas e a parte externa do nariz.
Na hemobartonelose, que afeta os gatos, perda de peso, falta de apetite, apatia, dores articulares, fraqueza e febre aparecem como principais sintomas. A especialista lembra que estes são semelhantes aos dos cães e denunciam a anemia aguda ou crônica. A diferença é que no caso dos cachorros, os carrapatos são os únicos vetores, enquanto nos gatos o problema também é transmitidos por picadas de pulgas e piolhos. Os bichanos ainda podem adoecer de erlichiose, porém a incidência é bem menor que nos cães.
Os animais também podem ser infectados por duas “doenças do carrapato” ao mesmo tempo. “Algumas vezes a erlichiose e a babesiose ocorrem simultaneamente. São dois microorganismos diferentes; a Erlichia, que é uma rickettsia, habita os leucócitos e as plaquetas, enquanto a Babésia, que é um protozoário, habita os eritrócitos”, explica a veterinária.
Exames de sangue e de sorologia são utilizados no diagnóstico. O tratamento é feito com medicamentos e quando a anemia é muito severa, a transfusão de sangue se torna necessária. As chances de cura aumentam quando a terapia é aplicada ainda no início da doença, do contrário, o animal pode ficar com sequelas ou mesmo morrer. “Em casos crônicos, que provocam lesões em órgãos como o rim, por exemplo, o bicho pode ficar com deficiências para sempre. É uma doença muito grave e se não for tratada leva o animal à óbito”, alerta Beatriz.












Aprendendo na dificuldade

Houve um tempo em que o Brasil se mostrava imune aos grandes desastres naturais. Entretanto, as conseqüências das mudanças climáticas já andam batendo em nossa porta, deixando um rastro de sofrimento e desamparo, tanto entre humanos como entre os animais.
A inexperiência brasileira em socorrer animais diante de catástrofes vem dando espaço, agora, a um grande aprendizado envolvendo planejamento, logística, além, é claro, de solidariedade e parceria.
Foi assim em 2008, quando diversas cidades catarinenses sofreram com as fortes chuvas. Diversas entidades de proteção animal se uniram e de forma planejada montaram estratégias de trabalho que vieram a ajudar muitos animais afetados pelas enchentes.Agora, é a vez de cidades do nordeste enfrentarem graves problemas para ajudar animais vítimas das enchentes. Apesar destas cidades terem características bastante diversas das sulistas, a disposição em ajudar é a mesma e isso faz com que dificuldades sejam superadas.
Pernambuco, por exemplo, não tem muitas ONGs, como Santa Catarina, mas por lá os próprios moradores estão levando seus animais para os abrigos. Apesar de ser positiva essa relação de afeto, isso só faz aumentar a preocupação e a necessidade de se conciliar saúde pública com bem-estar animal. Em Recife, duas ONGs assumiram esse desafio – AADAMA e a Gato Feliz – e estão, com o suporte da WSPA, obtendo bons resultados. As dificuldades são molas mestras para a superação e o crescimento.